domingo, 15 de abril de 2012

O Parafuso Solto

Jerry comprou uma linda estante para decorar a parede principal de sua sala de estar. Era de uma madeira nobre, importada do exterior, tinha uma cor reluzente de marfim e enfeitada com tiras de madeira cor vinil, o que dava um toque especial ao móvel. A sala de Jerry estava muito apagada, realmente, por isso ele teve a ideia de mudá-la sem precisar fazer muito. Ele sabia que apenas um móvel de qualidade poderia fazer toda a diferença. Quando os entregadores chegaram à sua casa, começaram a montar peça por peça. Primeiro seguraram uma lateral, encaixaram a outra parte, que seria a prateleira, e parafusaram; em seguida, fizeram a mesma coisa com o outro lado. Pronto, a base da estante estava formada. Depois de quase 1 hora, todo o móvel estava concluído. Jerry admirava-o de longe. Há tempos que desejava comprá-lo, e ‘namorava-o’ sempre que passava pela frente da loja. Mas, nem bem ele fechou a porta para os entregadores irem embora, e a estante inteira veio ao chão. Jerry colocou a mão na cabeça e parecia não acreditar! – Que trabalho mal feito! E agora, como farei para restaurar a minha estante? – perguntou-se indignado. Imediatamente, porém, Jerry, tentou se lembrar de como os homens montaram o móvel. – Bem, vamos lá... Vou pegar esta peça e encaixar nesta, vamos ver no que vai dar... Mais de 1 hora depois, Jerry vê o resultado. E ele não sabia definir que tipo de mobília havia montado... – ‘Isso’ pode ser qualquer coisa, menos uma estante! – Na verdade, Jerry havia iniciado a montagem do móvel pelas peças de cima, totalmente oposto ao que deveria ser. Novamente, ele recomeça a montar. Testa uma peça, testa outra, e nem ao menos pensa em ler o manual de montagem guardado na caixa das peças. Era tanta a sua ansiedade, que perder tempo com papel era a última coisa que pensaria em fazer. Finalmente, depois de mais de 3 horas, o móvel estava pronto. E foi Jerry quem se desmontou por completo: estava sujo, cansado, desgastado, e suava tanto quanto uma tampa de panela quente. Ele passava o punho pela testa molhada, mas olhava com alegria para a sua maravilhosa estante. – Que linda! Agora é o momento de colocar os objetos. Jerry começou pelas prateleiras inferiores. Colocou um aparelho de som de um lado, e do outro o de DVD. Nas do meio, pôs alguns livros e porta-retratos com fotografias suas e da família. E nas de cima, alguns bibelôs, adquiridos na sua última viagem de férias. – Esplêndido! Em seguida, sua esposa chega e se encanta com o móvel, e mais ainda com o feito do marido em montá-lo.
 Por isso, pede para que ele se aproxime da estante para que ela tire uma foto:
– Meu bem, quero registrar este momento.
 – Mas, estou tão sujo...
– Não importa, não importa... Jerry se aproxima da estante e, de leve, apoia o cotovelo na prateleira do meio. Não demorou um segundo para que as quase 3 horas de sacrifício na montagem viessem abaixo. Jerry ficou atônito, e sua esposa, com a câmera fotográfica na mão, parecia uma estátua fincada na sala. Isso foi o suficiente para Jerry se sentar no chão, feito criança, e se acabar de chorar. Enquanto isso, guardado na caixa das peças e grudado ao manual de montagem, o parafuso que faltava para que a linda estante ficasse, de fato, perfeita. Para refletir Nós podemos, a todo e qualquer custo, tentar nos manter firmes, mas, se estivermos com o principal “parafuso” de nossas vidas solto, por mais que desejemos, dificilmente conseguiremos suportar os pesos dos problemas e das circunstâncias – por menor que eles sejam.
O Espírito Santo é Aquele que nos ajuda a nos manter de pé, mesmo que sobre nós pareça que há um fardo muito difícil de carregar.

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